Tottenham 2 x 2 Brighton: drama nos acréscimos amplia crise dos Spurs
Premier League | Tottenham Hotspur Stadium | 18 de abril de 2026
O Tottenham esteve a minutos de encerrar um jejum incômodo, mas viu a vitória escapar no fim. Em um jogo de poucas soluções ofensivas e muita tensão, os Spurs empataram em 2 a 2 com o Brighton após sofrerem o gol de empate nos acréscimos
Resultado que mantém o cenário cada vez mais delicado na temporada.
Mais do que o placar, o desfecho resume o momento da equipe: dificuldade de controlar jogos e incapacidade de sustentar vantagens.
O início da partida seguiu um roteiro previsível. O Tottenham teve mais posse nos primeiros minutos, tentando construir desde trás, mas sem conseguir transformar esse domínio em perigo real. Do outro lado, o Brighton adotava uma postura mais reativa, esperando o momento certo para acelerar.
Aos 27 minutos, os números ilustravam bem o cenário: quatro finalizações do Tottenham, nenhuma no alvo; Brighton ainda sem chutar a gol.
As melhores chances começaram a surgir em bolas paradas e jogadas diretas. Aos 31, após cruzamento na área, a defesa dos Spurs afastou parcialmente e a bola ainda bateu na trave antes de ser controlada pelo goleiro Kinsky — um raro momento de real perigo.
O Brighton crescia.
Aos 34 minutos, Groß encontrou Welbeck em cobrança de falta lateral, e o atacante obrigou Kinsky a fazer boa defesa. Era um sinal claro de que o jogo começava a mudar de direção.
Mas, no futebol, momentos pesam — e o Tottenham aproveitou o seu.
Aos 38 minutos, Xavi Simons recebeu com espaço atrás da meia-lua e encontrou Pedro Porro infiltrando na área. O lateral cabeceou para abrir o placar e colocar os Spurs em vantagem.
Um gol que veio no momento em que o Brighton parecia mais confortável no jogo.
O Tottenham quase ampliou logo depois. Aos 40, em contra-ataque, Xavi Simons limpou a marcação dentro da área e acertou a trave.
Parecia o momento ideal para matar o jogo.
Mas não foi.
Já nos acréscimos, aos 47 minutos, Groß cruzou com precisão e Mitoma finalizou de primeira para empatar. Um gol técnico, no timing perfeito — e com impacto direto no psicológico da partida.
O empate antes do intervalo recolocou o Brighton no jogo — e tirou do Tottenham o controle emocional que começava a construir.
Controle, tensão e colapso final
O segundo tempo começou mais travado. As duas equipes passaram a valorizar mais a posse, mas sem conseguir transformar isso em criação efetiva.
Aos 62 minutos, o Brighton tinha ligeira vantagem na posse (53%), mas o jogo seguia pobre em chances claras. Era um duelo mais físico do que técnico.
O Tottenham tentava acelerar em momentos isolados, principalmente com Xavi Simons, o jogador mais lúcido ofensivamente.
E foi ele quem decidiu — ou parecia decidir.
Aos 76 minutos, após erro na saída de bola do Brighton, Bergvall recuperou e acionou Simons. O holandês recebeu no bico da área, cortou para o meio e finalizou com precisão para marcar um golaço.
2 a 1.
Um lance que sintetiza sua atuação: iniciativa, qualidade e capacidade de decidir.
O estádio reagiu. A torcida empurrou o time, consciente do momento delicado.
O Tottenham não vence na Premier League desde dezembro de 2025.
O jogo caminhava para um desfecho de alívio.
Mas, mais uma vez, o detalhe pesou contra.
Nos acréscimos, o Brighton aumentou a pressão. Aos 92, já havia levado perigo em bola cruzada. Aos 94, encontrou o empate.
Após jogada pela esquerda, a bola sobrou para Van Hecke, que encontrou Rutter dentro da área. O atacante finalizou para fazer o 2 a 2 e silenciar o estádio.
Um erro defensivo devido a falta de atenção — exatamente o tipo de falha que tem custado caro aos Spurs.
Ainda houve tempo para uma última tentativa do Tottenham, mas o empate já estava selado.
Xavi Simons — Man of the Match | 1 gol e 1 assistência | Sofascore Rating: 8.3
O que vem pela frente
O resultado amplia a sequência sem vitórias do Tottenham, que já ultrapassa a marca de 100 dias sem vencer na Premier League. Mais do que os números, preocupa a forma como os jogos têm escapado — especialmente nos minutos finais.
Para o Brighton, o ponto conquistado tem sabor de vitória. A equipe mostrou resiliência, acreditou até o fim e se mantém próxima da zona de classificação para competições europeias.
Em uma temporada definida por detalhes, a diferença entre crise e crescimento muitas vezes está em como se joga — e, principalmente, em como se termina.
E, mais uma vez, o Tottenham terminou da pior forma possível.
